Wednesday, October 21, 2009

Resenha vídeos

O primeiro vídeo, que mostra o manifesto Unabomber, alega que a revolução industrial foi um desastre para a humanidade, e destruiu a liberdade do indivíduo e a esperança. Esse pensamento deve ser relativizado. De fato, há uma menor liberdade do homem ao depender da tecnologia para pensar, para se relacionar e ao não conseguir viver sem as invenções tecnológicas, mas também há um aumento da liberdade de expressão, difusão de opinião, de mobilidade e de romper constrangimentos de tempo e espaço.

O segundo vídeo, Surplus, aponta os problemas atuais do consumismo, e faz uma crítica ao mundo tecnológico, mostrando a dicotomia entre o futuro tecnológico ser de caráter aproximador e distanciador de pessoas. Idealiza um novo mundo sem poluição, desperdícios e para isso seria preciso destruir a técnica, as máquinas e as indústrias. Um questionamento interessante levantado no vídeo é: E se toda tecnologia fosse destruída, como o homem viveria? Sem carros, prédios, computadores, celulares. É difícil de imaginar.

A técnica pode ser mal utilizada, para guerras e o controle territorial, mas também possui benefícios, como a inteligência artificial, o surgimento do computador, etc. O mundo estaria fora de controle. Isso seria um reflexo da entropia de qualquer sistema, o desequilíbrio. A destruição da natureza pela técnica trouxe pobreza, atraso, dívidas. E tudo isso foi a troco do quê? Qual o sentido disso? Isso nos remete a ideia levantada no texto de Ellul: a técnica tem um fim em si mesmo.

O vídeo traz o depoimento de John Zerzan, que trabalha com o processo de origem e as consequências da indústria de massa, que defende a idéia da recuperação da cultura através do retorno ao primitivismo. Zerzan afirma ainda que violência não é causar danos a prédios e carros, mas sim ficar em casa, inerte, vendo MTV e comendo MC Donald’s.

Surplus demonstra a crise do homem e de seu estar no mundo, apontando uma cubana que sonha em mudar sua rotina, e um sueco milionário, que busca viver “alternativamente”. Fica a pergunta: qual a razão de tanto consumismo, das técnicas construídas, se o homem não consegue se sentir satisfeito? Se a solução fosse o menor consumo, a Tania de Cuba estaria feliz e não ficaria realizada com sua viagem à Europa e com seu Big Mac. Assim como ter todo o dinheiro do mundo, para o sueco, não faz sentido algum e talvez não fosse necessário.

O vídeo mostra ainda uma loja que confecciona bonecas e bonecos, e essa cena nos remete a ideia de Flusser, de que a técnica tem se aperfeiçoado tanto que está cada vez mais se assemelhando ao real. Tudo pode ser comercializado, e existem nas grandes cidades, em meio a tanta gente, pessoas solitárias A experiência que pode ser obtida, segundo o desenvolvedor dos bonecos, é praticamente a mesma (relacionada ao tato) do mundo real, como se o consumidor não percebesse a artificialidade daqueles objetos. Há cenas com ângulos mais fechados que, se o receptor não soubesse previamente que eram bonecos, facilmente se confundiria com pessoas reais.

Há um grande discurso democrático e otimista no desenvolvimento de novas tecnologias, como o computador e o celular, mas o seu uso que vai determinar se o projeto inicial é de fato o que foi prometido. A promessa de liberdade e de menos trabalho foi relativizada no filme com a impossibilidade de se afastar dos aparelhos e não ser controlado pelo trabalho. Assim como a promessa de sociabilidade é contraposta com as pessoas passeando no shopping sem interagir nem conhecer umas as outras. Embora, assim como a comunicação, haja, com as novas tecnologias, uma potência social e conversacional maior - porém só seu uso que vai determinar aumento ou diminuição de sociabilidade.

Grupo 7

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