Sunday, December 6, 2009

Idosos e as novas tecnologias

A população brasileira está envelhecendo cada vez mais. A terceira idade apresenta-se agora como uma parcela atuante da sociedade. Para atender as necessidades desse público, surgem as Universidades para a terceira idade. Em Salvador, um dos exemplos é a Uati (Universidade Aberta à Terceira Idade) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
Através da disciplina Oficina de informática, a Uati possibilita aos alunos da terceira idade uma aproximação com o computador e com a internet. Através destas aulas, idosos que antes não tinham nenhum contato com o computador passam a interagir no mundo web e ao ter novas perspectivas. O acesso cada vez maior deles na internet faz com que a sociabilidade entre eles aumente. Ao mandar e receber e-mails, eles entram em contato com parentes e amigos que anteriormente eles não conseguiam falar.
As limitações físicas (problemas visuais, físicos e etc.) dos idosos não limitam o seu acesso na internet. Embora a quantidade de tempo disposto na frente do computador não seja muito grande, na maioria das vezes não ultrapassa uma hora, eles mostram vontade em estar conectado com o mundo. A atualização com as notícias, o conato com parentes é o que mais atrai a terceira idade para o uso da internet. Eles querem saber dos acontecimentos atuais e desejam também participar das novidades para não ficarem para trás. O discurso dos alunos da Uati gira muito em torno da importância desta constante atualização para própria auto-estima. Conectados a internet, os idosos se sentem inserido neste mundo complexo e permeado pelas novas tecnologias.
O resultado do nosso trabalho foi a produção de um vídeo. Confira!!

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Sunday, November 15, 2009

Série de vídeos Did You Know?

Recebi um email esses dias falando sobre uma série de vídeos chamada “Did You Know?”, que traz dados bastante interessantes sobre mídia, tecnologia, comunicação, convergência e internet.

O primeiro vídeo da série fez uma abordagem geral sobre as mudanças sociais e tecnológicas sofridas pelo planeta nos últimos anos. Agora em 2009, o vídeo chegou à sua versão 4.0, e foi feito em parceria com a revista The Economist, especialmente para divulgar a terceira edição do evento Digital Media Convergence Forum, que aconteceu em outubro, em Nova York, para discutir sobre as novas mídias, e como tem acontecido a convergência digital no mundo.

Os dados apresentados nos vídeos são bastante interessantes, e nos permitem vislumbrar as novas tendências e estratégias que já estão presentes e as que ainda estão por vir. É possível perceber, conforme falamos em sala de aula, como os dados mudam e a tecnologia evolui em tão curto prazo, e como a convergência de mídias influencia todos os âmbitos da nossa vida.

Entre outras coisas, o vídeo mostra a ascensão dos meios de comunicação social e a queda das fontes tradicionais. Traz informações como a de que a circulação de jornais caiu em 7 milhões nos últimos 25 anos, enquanto que nos últimos 5 anos o número de leitores de jornais online aumentou em 30 milhões. Além disso, o vídeo aponta a queda no uso dos meios tradicionais, como jornais, televisão e rádio, para a publicidade, e o aumento no uso dos meios digitais para esse mesmo fim.

Abaixo segue a versão 4.0, a deste ano do vídeo “Did You Know”. Infelizmente não encontrei uma versão dublada ou legendada em português. Mas em seguida podemos ver o vídeo do ano passado (3.0), legendado em português.


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Monday, November 9, 2009

TED: Como a Internet permite a intimidade


O recente vídeo acima de Stefana Broadbent do TED discute alguns pontos importantes discutidos em sala de aula neste semestre.

Primeiramente, fala sobre a quantidade de amigos que se tem em redes sociais e programas de mensagens instantâneas e o número real de amigos com quem de fato se conversa. Segundo Stefana, muitas pessoas tem 140 amigos no facebook mas mantêm contato regular com 4 a 6 usuários. Podemos relacionar isto ao modo de funcionamento das redes sociais e o que está em jogo ao formar a "minha comunidade" - o capital simbólico, a formação da nossa imagem para o outro - e como isso se relaciona na comunicação: o suporte (redes sociais e programas de mensagens instantânea) aumenta as probabilidades de interação e comunicação, mas, como é muito difícil de ocorrer e muito improvável, só ocorre com poucos - que, inclusive, acredito que são pessoas com as quais já há interação face-a-face.

Stefana também fala como as tecnologias como webcam e Skype tem sido utilizadas por imigrantes para entrar em contato com a família e crianças. Ela cita o caso de um casal de brasileiros que jantam com a família ao abrir o laptop e ligar a webcam na mesa de jantar, o que se torna um grande evento familiar. Mais uma vez, é um exemplo de como as tecnologias tem permitido o homem a superar o constrangimento espaço-temporal e unido as pessoas, ao invés de isolá-las, como previsto na fase inicial do ciberespaço (chamada fase do upload, segundo André Lemos).

Outro tópico abordado é a divisão cada vez mais permeável entre esfera pública e esfera privada com o uso de celular pelas crianças nas escolas, de programas de mensagens instantâneas, emails pessoais e celular no trabalho (citando o caso de dois amigos que falam entre si regularmente). Além disso, Stefana constata que o acesso a estas tecnologias que permitem estar em contato com o outro está sendo feito de forma massiva e questiona os efeitos do uso em relação a atenção na realização de tarefas no trabalho e nas escolas. Os efeitos dessa "presença privada" em uma esfera pública é preocupante também no caso do exército americano, que usa celulares para manter contato diário com a família, o que pode afetar o equilíbrio emocional necessário. Estas atitudes e situações são reflexo da ubiquidade das tecnologias, que cada vez menos estão presas a um lugar específico (acessar a internet em minha casa) nem a momentos destacados da rotina, mas sim incorporadas no cotidiano.

Por fim, Stefana aborda as iniciativas das empresas em bloquear o acesso a determinados sites e programas como mecanismo de controle social, ou seja, instituições estão tentando determinar o isolamento e os momentos de atenção às tarefas, bloqueando as possibilidades de intimidade no ambiente de trabalho. Isso remete às discussões sobre os mecanismos de vigilância e controle no território informacional. Por ser território, já está explícito que há formas de controles de acesso e trocas informacionais. Acredito que esta questão deve ser pensada nas empresas estabelecendo relação com o impacto na motivação - e também na atenção - quando as pessoas utilizam estas tecnologias. Pois, da mesma forma que pode diminuir a produtividade, elas permitem que as pessoas se sintam melhor (ao saber, por exemplo, que seus filhos estão bem e seguros) durante o horário de trabalho.

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Thursday, October 22, 2009

Insensatez por insensatez...

Surplus é um documentário polêmico produzido em 2003 por Eric Gandini que discute as contradições deste sistema tecnicista e consumista que vivemos.

O grande mérito do vídeo é seu poder de instigar o debate nos mostrando as contradições do avanço tecnológico que dizem ser a salvação da humanidade, em quanto pode ser seu próprio algoz. Mesmo a tecnologia sendo inerente ao ser humano desde os primeiros dias de sua existência terrestre, o que vivemos hoje é um tecnicismo desenfreado que tenta recriar uma natureza ideal de confortos e possibilidades infinitas; “é tempo de mentes sem fronteiras”

Para Bill Gates, a tecnologia aproximaria as pessoas, o que é verdade. Com as redes sociais que são tecidas nas comunidades virtuais a probabilidade de haver comunicação aumenta bastante. O Orkut, o MSN, o Facebook e etc. facilitam o contato e possibilita o rompimento do isolamento que todos nos estamos condenados nesta segunda cultura – a cultura artificial. Contudo, a mesma internet que aproxima as telinhas, afasta os corpos. Está certo que encontros são marcados via email, mas não está errado dizer que cada vez mais pessoas deixam de sair de suas casas pra ficarem conversando pelo computador – até porque “teve um assalto ontem no Rio Vermelho e minha mão disse preu ficar em casa”.

John Zerzan é um entusiasta contra a tecnologia e a globalização, que busca viver a par do mundo contemporâneo. Alguns de seus posicionamentos podem parecer insensatos; “- como querer voltar à idade da pedra? Destruir prédios não leva a nada!”, se questionariam alguns. Contudo, seu posicionamento não é mais insensato do que o próprio sistema em que todos nós estamos imersos. Afinal, quem souber para onde caminha humanidade, favor nos adicionar no MSN – temos muito que conversar.


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Reflexões sobre Surplus

Surplus é um filme que não segue apenas um caminho de se viver. Mostra os dois viés, dos capitalistas consumistas querendo lhe empurrar toneladas de produtos a cada hora, assim como os socialistas com sua defesa do não-consumismo e sua pseudo democracia.
Apesar de serem sistemas opostos, os dois fazem uso de um discurso e de meios
de comunicação para divulgar suas idéias. O diretor faz uso do próprio recuso de áudio e vídeo para demonstrar o forte poder da mídia e de seus discursos ideológicos. O jogo de cena e imagens prendem a atenção do telespectador, não deixando fugir o olhar.
No geral, o discurso do bloco capitalista é igual ao do socialista e vice-versa. Os dois tentam arrebatar seu público, sempre fazendo a relação entre dominador-dominado, mantendo uma ordem estabelecida, seja consciente ou inconscientemente. Com esta contraposição mostrada não dá para simplesmente eleger um sistema melhor. O nosso mundo é muito mais complexo, não dá para escolher qual o sistema está correto, se o dos EUA ou de Cuba. A globalização borrou os limites, ao mesmo tempo em que estamos todos envoltos numa mesma teia, estamos também em um domínio desigual. Somos levados para um mundo onde cada vez mais precisamos de mecanismos globais, mas que mesmo tempo não consegue tornar o mundo mais igualitário.

E no documentário também tem idéias, digamos que, utópicas, como a de Zerzan.. Para ele, alcançar a felicidade é sair deste mundo equipado em que vivemos hoje e voltar para o estágio primordial, sem aparatos tecnológicos nem cobranças de comportamentos. Para Zerman, as pessoas estão presas a este sistema, são reféns da tecnologia e de toda a lógica que ele impõe aos homens. A visão dele é bem extremista e utópica. Não vemos como poderíamos voltar para um estágio sem tais aparatos. Parece mais sensato tentar rever os usos de tais e se apropriar destas tecnologias de forma sustentável e que traga novas significações.
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"Rice, beans... rice and beans!"- uma reflexão sobre o documentário “Surplus”.

'Surplus' (Terrorized Into Being Consumers, 2003) é um documentário sueco que analisa o modo de vida da sociedade contemporânea vive. O diretor italiano Erik Gandini viajou durante três anos para diversos países- como Cuba, Índia e Eua- para representar a ordem sob a qual vivemos. Amplamente divulgado pela Internet, o documentário questiona principalmente a lógica do consumo na qual a humanidade está inserida.

Produções em série, governos ditatoriais, guerras civis e a hegemonia de grandes empresas no mundo são umas das diversas questões que são sobrepostas na abordagem sobre o mundo atual. O principal teórico do movimento anti-civilização, John Zerzan, pontua boa parte das reflexões sobre a sociedade do consumo ao longo do filme. Referido por muitos como “anarco primitivista”, Zerzan ganhou destaque a partir da década de 1980 e os seus argumentos se baseiam na defesa de uma volta ao primitivismo pelo homem.

Os aparatos tecnológicos são postos pelo documentário como criadores de novos desejos de compra. O argumento que condena então a tecnologia é o de que a evolução tecnológica deveria libertar o homem, diminuindo o seu trabalho. E o que acontece é que estamos cada vez mais dependentes destas ferramentas técnicas para executarmos tarefas. Isso não é necessariamente ruim, assim como não é brutamente negativo o fato de sermos uma sociedade do consumo.

O ponto é o que o documentário acaba por cair na dicotomização de um mundo onde existem os “espertos” que produzem propagandas para o consumo e o “homem passivo” que as consome sem maiores questionamentos. Ora, todos sabemos que a questão não deve ser vista assim de forma tão simplista. Não existe somente “dois lados da moeda” e muito menos produtores e consumidores no mundo de hoje. Todos consumem informação e todos são capazes de produzí-la e distribuí-la. A experiência da web nos prova justamente isto.

A grande questão é que nós, seres humanos, somos movidos pelo desejo. Como já pontuaram diversos estudiosos, o desejo é humano, puramente humano. O desejo (D.: Wunsch), tal como é entendido pela psicanálise, não é a mesma coisa que a necessidade: enquanto a necessidade é um conceito biológico, natural, o desejo é da ordem psíquica. Portanto, o desejo, assim como a pulsão, nos diferencia dos animais, uma vez que estes são seres de puro instinto, seres de necessidade.

Para Freud, o desejo é o que põe em movimento o nosso aparelho psíquico e o orienta segundo a percepção do agradável e do desagradável. Indo além, o desejo é o próprio meio de se chegar à felicidade. O problema é que sempre adiamos a satisfação do desejo de forma que nunca a atingimos: o desejo, então, é uma busca pelo impossível, segundo a psicanálise.

Os nossos desejos são, sem dúvida, mais explorados nesta “era da imagem técnica”, onde os nossos sentidos são reconfigurados cotidianamente. É o que expõe Vilém Flusser no seu livro O mundo Codificado. Para Flusser, foi a partir da necessidade de se comunicar e de registrar o seu legado para as gerações futuras que o homem desenvolveu símbolos e códigos através dos quais pudesse expressar os seus desejos e inspirações.

Na nossa sociedade do consumo, o desejo funciona ainda mais como combustível. A garota cubana que descreve a sua experiência de ter ido à Inglaterra talvez seja quem representa melhor no filme essa questão fundamental. É a partir do seu depoimento entusiasmático sobre consumir “a super Mac, a big ,big, Big Mac!” que percebemos por que, por um lado, não faz sentido para o homem estar inserido num sistema político onde seus desejos não possam ser sanados. Para a garota, não fazia sentido comer arroz e feijão num lugar onde ela poderia consumir fast food- uma vez que um Bic Mac lhe era configurado como um objeto de desejo, por assim dizer.



É neste ponto do documentário onde se consiste a relativização dos contextos contemporâneos anteriormente expostos. Não mais caímos no pensamento de Zerzan onde o fim do consumo é a solução para este tal “excedente”- como sugere o próprio título ‘surplus’- em que se vive.

Assista ‘Surplus’ aqui.

Grupo 2.

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Wednesday, October 21, 2009

Comentário sobre Surplus

O documentário exibido em sala, Surplus: Terrorized Into Being Consumers, tem alguns pontos bastante questionáveis.

1º : A defesa entusiasmada do vandalismo como forma de protesto e resistência popular frente às arbitrariedades e injustiças perpetradas pelos poderes político e econômico.

John Zerzan, um teórico anarquista que defende idéias insensatas com um risível tom de superioridade, parte do pressuposto equivocado de que só existe violência se ela for praticada contra um ser humano. Para ele, a destruição de bens materiais não é violência, mas sim uma maneira válida de se vingar da exploração das grandes corporações, do progresso tecnológico, da “opressora” sociedade industrial, do consumismo desenfreado etc. Em síntese, é uma visão estúpida e contraproducente porque ancorada na defesa da bárbarie como arma para combater os diversos tipos de violência e subjugação. Zerzan parece desconhecer os feitos e o legado de Gandhi. A retórica pacifista e inteligente, aliada à desobediência civil, trouxe e pode trazer resultados muito mais significativos. A violência enfraquece e, por vezes, anula a argumentação, atrai a aversão dos meios de comunicação e da opinião pública e, em última instância, gera efeitos contrários ao que se pretendia.

[...]

O filme é bastante radical em diversos aspectos evidenciados. A tecnologia não foge a essa abordagem extremista. O enredo coloca o desenvolvimento tecnológico como uma ferramenta que afasta um indivíduo do outro, visto que a ultrapassagem dos limites de espaço e de tempo, mascarada pela idéia de facilitar a comunicação, compromete o convívio entre as pessoas. Ou seja, as pessoas não mais se deslocam para poder se relacionar, pois existem meios para que haja troca de informações, sem necessariamente haver um contato direto.

Essa é uma visão que deve ser analisada, na medida em que as pessoas, de fato, estão perdendo a idéia de contato imediato para poder efetivar uma relação. Entretanto, ao superar os fatores espaço e tempo, as novas tecnologias também proporcionam maior significação de conteúdos, o que facilita a aproximação entre diversas pessoas nas variadas partes do mundo. Nosso contato com a informação é muito maior e a possibilidade de intercâmbio cultural é vasta, o que contrasta com a idéia de puro isolamento que o filme tenta passar.

[...]

Surplus traz uma visão demonizada e unilateral sobre o consumo. O documentário ignora todos os benefícios e avanços propiciados por um modelo capitalista de sociedade. Ignora, por exemplo, o valor social que os produtos possuem. Filmes ou livros “consumidos” são matéria-prima para conversas, reflexões e desenvolvimento de novas idéias. Eles permitem o surgimento de espaços e momentos de socialização, no qual as pessoas compartilham experiências utilizando o seu capital intelectual que é construído também através do consumo.

Outro aspecto positivo que se pode destacar na lógica capitalista de produção é o desenvolvimento das tecnologias e da ciência. O lucro é um dos combustíveis que estimulam as inovações em ambos. Há um ciclo, o consumidor compra o produto, gerando lucro para a empresa e possibilitando o surgimento e o avanço das tecnologias que futuramente irá comprar. Ao mesmo tempo em que as pessoas são submetidas a esse ciclo interminável de compra, as inovações trazem melhorias para a qualidade de vida e multiplicam as possibilidades de realização das mais diversas tarefas diárias.

[...]

Ao mesmo tempo que situa o consumismo como a grande mazela da humanidade a ser combatida, apresentando-o como elemento primordial de sustentação de um sistema nocivo à natureza e opressor das nações subdesenvolvidas, o vídeo sugere soluções extremas e, porque não dizer, levianas e excessivamente românticas. Os recortes e manipulações de áudio e som feitos nos discursos dos representantes das grandes corporações e dos países centrais, de um lado, e a aura paternalista e protetora do discurso de Fidel Castro, de outro, podem ser interpretados como uma tentativa de substituir toda a complexidade do assunto por um maniqueismo reducionista.


Essa concepção que contrapõe o demônio do consumismo, da tecnologia e da sociedade industrial ao deus do igualitarismo e da vida bucólica pré-industrial não contempla as contradições internas de cada um dos caminhos: ou se torna peça de uma engrenagem que existe por si só e objetiva se manter viva oferecendo prazeres efêmeros, ou se abre mão da diversidade em nome de uma coletividade homogênea e mediana.


Grupo 06

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Resenha - ‘Surplus: Terrorized Into Being Consumers’

Pode-se dizer que ‘Surplus: Terrorized Into Being Consumers’ (2003), documentário dirigido pelo italiano Erik Gandini, está recheado de ironias contra a modernidade e as formas do capitalismo atual. ‘Surplus’ é uma palavra francesa que significa ‘superávit’ e o dicionário a define como: ‘excesso das receitas sobre as despesas’.

Portanto, a proposta do filme está instalada desde o seu título: falar-se-á sobre gastos, despesas e consumo – palavras chaves para o capitalismo. ‘Surplus’ trata dos rendimentos do homem ao consumo e como existe um sistema por trás que trabalha para estimulá-lo.

Nos primeiros minutos, vê-se um grupo neo-ludistas protestando e destruindo propriedades, contra o capitalismo pelas ruas de Gênova, enquanto acontecia a reunião do G-20. O neo-ludismo já é tido como um conceito político e refere-se a todos aqueles que se opõem ao desenvolvimento tecnológico ou industrial.

Depoimentos de John Zerzan, considerado o pai do ativismo Black Block, são mostrados a partir de então. Para ele, o mundo só poderia ser salvo se voltasse à idade da pedra. Tudo pode ser resolvido quando as indústrias forem destruídas. Ele defende a volta ao neolítico: onde o controle dos meios de produção não esteja restrito a esses poucos, que negociam as coisas com base no valor de troca.

Zerzan não acredita nos protestos pacíficos. Para ele, esse tipo de protesto se reduz a ‘segurar uma placa’ e não adianta para nada. Por isso, defende os danos limitados à propriedade. Tudo reduz a individualidade. Ele considera que o consumo é danoso e deve parar porque é degradante: “o desejo de consumo te aterroriza”.

Um discurso de George W. Bush é mostrado, repetidamente, onde ele diz: “Não podemos deixar que o terrorismo não nos deixe consumir.” Com isso, o filme deixa claro: é assim que raciocina a sociedade americana e os seus governantes - é o consumo que está em primeiro lugar e o modo de vida transnacional deve ser o modelo imposto pelos Estados Unidos.

Os dados que o documentário traz mais tarde também colaboram: 20% da população mundial consome 80% dos recursos planetários. Um americano consome 5 x mais que um mexicano, 10 x mais que um chinês, 30 x mais que um indiano. As proporções são diferentes, e aí entram variantes como realidade cultural, econômica e política, mas todos consomem.

Gandini consegue construir enunciado irônico com falas cortadas de presidentes e chefes de grandes empresas a favor do consumo. Os discursos são apresentados como uma propaganda televisiva, com imagens onde a platéia ri e aplaude para o que lhe é colocado. Mas é assim que funciona a sociedade contemporânea? Os estímulos são apresentados, o desejo de consumo é instalado e como na “Bullet Theory” todos se rendem e reagem automaticamente, como seres autômatos, ao que lhe é imposto?

Sim, todas as pessoas, desde o seu nascimento, são constantemente estimuladas a consumir e a entrar num sistema no qual é o ‘o que se tem e o que se consome’ que indica a sua posição. Mas, vale ressaltar que o consumo do qual ‘Surplus’ trata não é o consumo que propicie satisfação, é o consumo que precisa criar mais e mais necessidades. O exemplo que ilustra muito bem a necessidade de consumo que é criada e se instala é a cubana Tânia. Ela viajou para a Inglaterra, gosta de consumir e comer fast-food. O sistema em que ela está se inseriu, propiciou que ela se deslumbrasse pela realidade capitalista de que tudo é acessível e deve ser comprado.

Serialização e padronização associadas ao consumo também não ficam de fora em ‘Surplus’. Em determinado momento do vídeo, pode-se assistir à apresentação de bonecas eróticas serializadas e feitas ao gosto do cliente. Elaboradas com os mais modernos materiais, elas imitam um corpo real. Todas essas bonecas são produzidas com base nos padrões capitalistas de beleza, de corpo e fica claro que até o sexo está rendido às regras impostas por consumo que deve ser massificado.

Nesse contexto, podemos ilustrar com o que Vilém Flusser traz no livro O Mundo Codificado: “Certamente existem também relações ‘naturais’ entre os homens, como a relação entre a mãe e o lactante ou então uma relação sexual, e pode-se afirmar que essas seriam as formas de comunicação mais originais e fundamentais. Mas elas não caracterizam a comunicação humana, e são amplamente influenciadas pelos artifícios, são ‘influenciadas pela cultura.” O sexo, então, estaria condicionado pela cultura. E na sociedade capitalista e do consumo, bonecas eróticas e serializadas estão de acordo com a realidade compartilhada.

Gates declara que o computador serve para aproximar pessoas entrando em choque com o discurso de Zerzan: ele afirma que é uma peça para racionalizar, isolar e colocar a eficiência sobre a diversão. Nesse momento, discussões sobre a comunicação e o uso dos aparatos tecnológicos podem ser despertadas. A modernidade serve para estimular o afastamento e reduzir a proximidade. Mesmo que a comunicação seja improvável, busca-se por essa comunicação e uma necessidade de romper o isolamento. A tecnologia, aqui representada pelos computadores, então, propicia o maior isolamento ou permite que o constrangimento do afastamento seja reduzido?

Fazendo referência, novamente, às ideias expostas por Vilem Flusser pode-se dizer que é o fim das diferenças, mas também o fim das liberdades, como a de escolha por exemplo. Flusser diz no seu ‘Mundo Codificado’ que temos a ilusão de poder escolher, quando, na verdade, só escolhemos dentro de opções pré-estabelecidas. Como trazido em ‘Surplus’, a nossa liberdade é escolher entre as marcas A, B ou C.

Há, portanto, uma crise de fronteiras de todos os tipos com a globalização. A individualização versus a homogeneização. Qual o limite do Estado-Nação? Não existem mais fronteiras, sejam elas econômicas, políticas ou culturais. Houve uma quebra dos limites da geopolítica comum.

E o indivíduo? O que é? Hoje ele é bombardeado por informações que vem de todos os lados e acredita ter a liberdade de escolher. Mas, é preciso reforçar: o extremismo ideológico não adianta mais – a nossa Era é mais complexa.


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Resenha vídeos

O primeiro vídeo, que mostra o manifesto Unabomber, alega que a revolução industrial foi um desastre para a humanidade, e destruiu a liberdade do indivíduo e a esperança. Esse pensamento deve ser relativizado. De fato, há uma menor liberdade do homem ao depender da tecnologia para pensar, para se relacionar e ao não conseguir viver sem as invenções tecnológicas, mas também há um aumento da liberdade de expressão, difusão de opinião, de mobilidade e de romper constrangimentos de tempo e espaço.

O segundo vídeo, Surplus, aponta os problemas atuais do consumismo, e faz uma crítica ao mundo tecnológico, mostrando a dicotomia entre o futuro tecnológico ser de caráter aproximador e distanciador de pessoas. Idealiza um novo mundo sem poluição, desperdícios e para isso seria preciso destruir a técnica, as máquinas e as indústrias. Um questionamento interessante levantado no vídeo é: E se toda tecnologia fosse destruída, como o homem viveria? Sem carros, prédios, computadores, celulares. É difícil de imaginar.

A técnica pode ser mal utilizada, para guerras e o controle territorial, mas também possui benefícios, como a inteligência artificial, o surgimento do computador, etc. O mundo estaria fora de controle. Isso seria um reflexo da entropia de qualquer sistema, o desequilíbrio. A destruição da natureza pela técnica trouxe pobreza, atraso, dívidas. E tudo isso foi a troco do quê? Qual o sentido disso? Isso nos remete a ideia levantada no texto de Ellul: a técnica tem um fim em si mesmo.

O vídeo traz o depoimento de John Zerzan, que trabalha com o processo de origem e as consequências da indústria de massa, que defende a idéia da recuperação da cultura através do retorno ao primitivismo. Zerzan afirma ainda que violência não é causar danos a prédios e carros, mas sim ficar em casa, inerte, vendo MTV e comendo MC Donald’s.

Surplus demonstra a crise do homem e de seu estar no mundo, apontando uma cubana que sonha em mudar sua rotina, e um sueco milionário, que busca viver “alternativamente”. Fica a pergunta: qual a razão de tanto consumismo, das técnicas construídas, se o homem não consegue se sentir satisfeito? Se a solução fosse o menor consumo, a Tania de Cuba estaria feliz e não ficaria realizada com sua viagem à Europa e com seu Big Mac. Assim como ter todo o dinheiro do mundo, para o sueco, não faz sentido algum e talvez não fosse necessário.

O vídeo mostra ainda uma loja que confecciona bonecas e bonecos, e essa cena nos remete a ideia de Flusser, de que a técnica tem se aperfeiçoado tanto que está cada vez mais se assemelhando ao real. Tudo pode ser comercializado, e existem nas grandes cidades, em meio a tanta gente, pessoas solitárias A experiência que pode ser obtida, segundo o desenvolvedor dos bonecos, é praticamente a mesma (relacionada ao tato) do mundo real, como se o consumidor não percebesse a artificialidade daqueles objetos. Há cenas com ângulos mais fechados que, se o receptor não soubesse previamente que eram bonecos, facilmente se confundiria com pessoas reais.

Há um grande discurso democrático e otimista no desenvolvimento de novas tecnologias, como o computador e o celular, mas o seu uso que vai determinar se o projeto inicial é de fato o que foi prometido. A promessa de liberdade e de menos trabalho foi relativizada no filme com a impossibilidade de se afastar dos aparelhos e não ser controlado pelo trabalho. Assim como a promessa de sociabilidade é contraposta com as pessoas passeando no shopping sem interagir nem conhecer umas as outras. Embora, assim como a comunicação, haja, com as novas tecnologias, uma potência social e conversacional maior - porém só seu uso que vai determinar aumento ou diminuição de sociabilidade.

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Wednesday, August 19, 2009

Tecnologia, Cultura e Sociedade

Lendo a reportagem Duas mentes e um futuro digital do caderno de informática do jornal O Estado de São Paulo, que compara os pensamentos de Lev Manovich e Artur Matuck sobre as mudanças e desafios do mundo digital, encontrei nas opiniões de Manovich algumas temáticas pertinentes à nossa última discussão em sala de aula (18/09).

Na reportagem é explicitada a visão de Manovich sobre o termo ciberespaço, que, para ele, já não existe mais, pois a web se solidificou, sendo assim “domesticada e assimilada”. “Não há mais razão, portanto, para diferenciar online de offline, ou mesmo cultura de tecnologia: ‘Esses espaços se fundiram e hoje são o mesmo. É tudo um fluxo contínuo’, afirma o autor na reportagem. Pode-se relacionar este argumento ao de Pierre Lévy, em O inexistente impacto da tecnologia, no que diz respeito à concepção de que as tecnologias são produtos de uma sociedade e de uma cultura. Logo, a web e seus usos são produtos da nossa cultura e sociedade, os quais foram incorporados às nossas práticas.

Manovich vai mais longe ao dizer que a separação entre os mundos real e virtual só se deu até 2005, quando a fusão se completou, com a ascensão da web 2.0 e das mídias sociais. Entretanto, vale ressaltar que não existe real sem virtual e que, apesar da expansão da web, nem todos tem acesso a suas tecnologias.

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Monday, May 11, 2009

Governo brasileiro elabora plano para agir em caso de ataques virtuais

Matéria no site do Terra fala sobre planos que o governo brasileiro está elaborando para tratar de questões relacionadas à Internet:

 
Diversos países têm como preocupação a Internet, criando cargos e comandos militares focados nessa questão. É o caso dos Estados Unidos, que , como aborda a matéria, "no fim de abril, a Casa Branca anunciou a criação de um comando militar específico para o ciberespaço."
O Brasil segue o exemplo e planeja um "plano de contingência nacional" para assim poder agir de forma mais ágil e precisa em caso de ataques virtuais, que possam atingir importantes setores, como telecomunicações, energia, transporte.
Achei a atitude interessante, que mostra como as informações de empresas, governos estão hoje relacionadas com a tecnologia e a preocupação em proteger esse material. Só fiquei curiosa em saber como está acontecendo a troca de conhecimento entre o governo brasileiro e a Microsoft sobre os problemas de invasões. O governo terá que usar produtos da empresa e/ou pagar alguma quantia de dinheiro?


Esse link do site Convergência Digital acrescenta algumas informações sobre o assunto e também comenta a falta de preparo de altos cargos em lidar com a tecnologia. Para corrigir esse problema, a matéria aborda da meta do governo de fazer cursos de segurança da informação para o funcionalismo público.

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