Idosos e as novas tecnologias
Grupo 4
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Blog da Disciplina COM 104, do Departamento de Comunicação da Facom/UFBA. Prof. Dr. André Lemos
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Surplus é um documentário polêmico produzido em 2003 por Eric Gandini que discute as contradições deste sistema tecnicista e consumista que vivemos.
O grande mérito do vídeo é seu poder de instigar o debate nos mostrando as contradições do avanço tecnológico que dizem ser a salvação da humanidade, em quanto pode ser seu próprio algoz. Mesmo a tecnologia sendo inerente ao ser humano desde os primeiros dias de sua existência terrestre, o que vivemos hoje é um tecnicismo desenfreado que tenta recriar uma natureza ideal de confortos e possibilidades infinitas; “é tempo de mentes sem fronteiras”
Para Bill Gates, a tecnologia aproximaria as pessoas, o que é verdade. Com as redes sociais que são tecidas nas comunidades virtuais a probabilidade de haver comunicação aumenta bastante. O Orkut, o MSN, o Facebook e etc. facilitam o contato e possibilita o rompimento do isolamento que todos nos estamos condenados nesta segunda cultura – a cultura artificial. Contudo, a mesma internet que aproxima as telinhas, afasta os corpos. Está certo que encontros são marcados via email, mas não está errado dizer que cada vez mais pessoas deixam de sair de suas casas pra ficarem conversando pelo computador – até porque “teve um assalto ontem no Rio Vermelho e minha mão disse preu ficar em casa”.
John Zerzan é um entusiasta contra a tecnologia e a globalização, que busca viver a par do mundo contemporâneo. Alguns de seus posicionamentos podem parecer insensatos; “- como querer voltar à idade da pedra? Destruir prédios não leva a nada!”, se questionariam alguns. Contudo, seu posicionamento não é mais insensato do que o próprio sistema em que todos nós estamos imersos. Afinal, quem souber para onde caminha humanidade, favor nos adicionar no MSN – temos muito que conversar.
grupo 3
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'Surplus' (Terrorized Into Being Consumers, 2003) é um documentário sueco que analisa o modo de vida da sociedade contemporânea vive. O diretor italiano Erik Gandini viajou durante três anos para diversos países- como Cuba, Índia e Eua- para representar a ordem sob a qual vivemos. Amplamente divulgado pela Internet, o documentário questiona principalmente a lógica do consumo na qual a humanidade está inserida.
Produções em série, governos ditatoriais, guerras civis e a hegemonia de grandes empresas no mundo são umas das diversas questões que são sobrepostas na abordagem sobre o mundo atual. O principal teórico do movimento anti-civilização, John Zerzan, pontua boa parte das reflexões sobre a sociedade do consumo ao longo do filme. Referido por muitos como “anarco primitivista”, Zerzan ganhou destaque a partir da década de 1980 e os seus argumentos se baseiam na defesa de uma volta ao primitivismo pelo homem.
Os aparatos tecnológicos são postos pelo documentário como criadores de novos desejos de compra. O argumento que condena então a tecnologia é o de que a evolução tecnológica deveria libertar o homem, diminuindo o seu trabalho. E o que acontece é que estamos cada vez mais dependentes destas ferramentas técnicas para executarmos tarefas. Isso não é necessariamente ruim, assim como não é brutamente negativo o fato de sermos uma sociedade do consumo.
O ponto é o que o documentário acaba por cair na dicotomização de um mundo onde existem os “espertos” que produzem propagandas para o consumo e o “homem passivo” que as consome sem maiores questionamentos. Ora, todos sabemos que a questão não deve ser vista assim de forma tão simplista. Não existe somente “dois lados da moeda” e muito menos produtores e consumidores no mundo de hoje. Todos consumem informação e todos são capazes de produzí-la e distribuí-la. A experiência da web nos prova justamente isto.
A grande questão é que nós, seres humanos, somos movidos pelo desejo. Como já pontuaram diversos estudiosos, o desejo é humano, puramente humano. O desejo (D.: Wunsch), tal como é entendido pela psicanálise, não é a mesma coisa que a necessidade: enquanto a necessidade é um conceito biológico, natural, o desejo é da ordem psíquica. Portanto, o desejo, assim como a pulsão, nos diferencia dos animais, uma vez que estes são seres de puro instinto, seres de necessidade.
Para Freud, o desejo é o que põe em movimento o nosso aparelho psíquico e o orienta segundo a percepção do agradável e do desagradável. Indo além, o desejo é o próprio meio de se chegar à felicidade. O problema é que sempre adiamos a satisfação do desejo de forma que nunca a atingimos: o desejo, então, é uma busca pelo impossível, segundo a psicanálise.
Os nossos desejos são, sem dúvida, mais explorados nesta “era da imagem técnica”, onde os nossos sentidos são reconfigurados cotidianamente. É o que expõe Vilém Flusser no seu livro O mundo Codificado. Para Flusser, foi a partir da necessidade de se comunicar e de registrar o seu legado para as gerações futuras que o homem desenvolveu símbolos e códigos através dos quais pudesse expressar os seus desejos e inspirações.
Na nossa sociedade do consumo, o desejo funciona ainda mais como combustível. A garota cubana que descreve a sua experiência de ter ido à Inglaterra talvez seja quem representa melhor no filme essa questão fundamental. É a partir do seu depoimento entusiasmático sobre consumir “a super Mac, a big ,big, Big Mac!” que percebemos por que, por um lado, não faz sentido para o homem estar inserido num sistema político onde seus desejos não possam ser sanados. Para a garota, não fazia sentido comer arroz e feijão num lugar onde ela poderia consumir fast food- uma vez que um Bic Mac lhe era configurado como um objeto de desejo, por assim dizer.
É neste ponto do documentário onde se consiste a relativização dos contextos contemporâneos anteriormente expostos. Não mais caímos no pensamento de Zerzan onde o fim do consumo é a solução para este tal “excedente”- como sugere o próprio título ‘surplus’- em que se vive.
Assista ‘Surplus’ aqui.
Grupo 2.
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Pode-se dizer que ‘Surplus: Terrorized Into Being Consumers’ (2003), documentário dirigido pelo italiano Erik Gandini, está recheado de ironias contra a modernidade e as formas do capitalismo atual. ‘Surplus’ é uma palavra francesa que significa ‘superávit’ e o dicionário a define como: ‘excesso das receitas sobre as despesas’.
Portanto, a proposta do filme está instalada desde o seu título: falar-se-á sobre gastos, despesas e consumo – palavras chaves para o capitalismo. ‘Surplus’ trata dos rendimentos do homem ao consumo e como existe um sistema por trás que trabalha para estimulá-lo.
Nos primeiros minutos, vê-se um grupo neo-ludistas protestando e destruindo propriedades, contra o capitalismo pelas ruas de Gênova, enquanto acontecia a reunião do G-20. O neo-ludismo já é tido como um conceito político e refere-se a todos aqueles que se opõem ao desenvolvimento tecnológico ou industrial.
Depoimentos de John Zerzan, considerado o pai do ativismo Black Block, são mostrados a partir de então. Para ele, o mundo só poderia ser salvo se voltasse à idade da pedra. Tudo pode ser resolvido quando as indústrias forem destruídas. Ele defende a volta ao neolítico: onde o controle dos meios de produção não esteja restrito a esses poucos, que negociam as coisas com base no valor de troca.
Zerzan não acredita nos protestos pacíficos. Para ele, esse tipo de protesto se reduz a ‘segurar uma placa’ e não adianta para nada. Por isso, defende os danos limitados à propriedade. Tudo reduz a individualidade. Ele considera que o consumo é danoso e deve parar porque é degradante: “o desejo de consumo te aterroriza”.
Um discurso de George W. Bush é mostrado, repetidamente, onde ele diz: “Não podemos deixar que o terrorismo não nos deixe consumir.” Com isso, o filme deixa claro: é assim que raciocina a sociedade americana e os seus governantes - é o consumo que está em primeiro lugar e o modo de vida transnacional deve ser o modelo imposto pelos Estados Unidos.
Os dados que o documentário traz mais tarde também colaboram: 20% da população mundial consome 80% dos recursos planetários. Um americano consome 5 x mais que um mexicano, 10 x mais que um chinês, 30 x mais que um indiano. As proporções são diferentes, e aí entram variantes como realidade cultural, econômica e política, mas todos consomem.
Gandini consegue construir enunciado irônico com falas cortadas de presidentes e chefes de grandes empresas a favor do consumo. Os discursos são apresentados como uma propaganda televisiva, com imagens onde a platéia ri e aplaude para o que lhe é colocado. Mas é assim que funciona a sociedade contemporânea? Os estímulos são apresentados, o desejo de consumo é instalado e como na “Bullet Theory” todos se rendem e reagem automaticamente, como seres autômatos, ao que lhe é imposto?
Sim, todas as pessoas, desde o seu nascimento, são constantemente estimuladas a consumir e a entrar num sistema no qual é o ‘o que se tem e o que se consome’ que indica a sua posição. Mas, vale ressaltar que o consumo do qual ‘Surplus’ trata não é o consumo que propicie satisfação, é o consumo que precisa criar mais e mais necessidades. O exemplo que ilustra muito bem a necessidade de consumo que é criada e se instala é a cubana Tânia. Ela viajou para a Inglaterra, gosta de consumir e comer fast-food. O sistema em que ela está se inseriu, propiciou que ela se deslumbrasse pela realidade capitalista de que tudo é acessível e deve ser comprado.
Serialização e padronização associadas ao consumo também não ficam de fora em ‘Surplus’. Em determinado momento do vídeo, pode-se assistir à apresentação de bonecas eróticas serializadas e feitas ao gosto do cliente. Elaboradas com os mais modernos materiais, elas imitam um corpo real. Todas essas bonecas são produzidas com base nos padrões capitalistas de beleza, de corpo e fica claro que até o sexo está rendido às regras impostas por consumo que deve ser massificado.
Nesse contexto, podemos ilustrar com o que Vilém Flusser traz no livro O Mundo Codificado: “Certamente existem também relações ‘naturais’ entre os homens, como a relação entre a mãe e o lactante ou então uma relação sexual, e pode-se afirmar que essas seriam as formas de comunicação mais originais e fundamentais. Mas elas não caracterizam a comunicação humana, e são amplamente influenciadas pelos artifícios, são ‘influenciadas pela cultura.” O sexo, então, estaria condicionado pela cultura. E na sociedade capitalista e do consumo, bonecas eróticas e serializadas estão de acordo com a realidade compartilhada.
Gates declara que o computador serve para aproximar pessoas entrando em choque com o discurso de Zerzan: ele afirma que é uma peça para racionalizar, isolar e colocar a eficiência sobre a diversão. Nesse momento, discussões sobre a comunicação e o uso dos aparatos tecnológicos podem ser despertadas. A modernidade serve para estimular o afastamento e reduzir a proximidade. Mesmo que a comunicação seja improvável, busca-se por essa comunicação e uma necessidade de romper o isolamento. A tecnologia, aqui representada pelos computadores, então, propicia o maior isolamento ou permite que o constrangimento do afastamento seja reduzido?
Fazendo referência, novamente, às ideias expostas por Vilem Flusser pode-se dizer que é o fim das diferenças, mas também o fim das liberdades, como a de escolha por exemplo. Flusser diz no seu ‘Mundo Codificado’ que temos a ilusão de poder escolher, quando, na verdade, só escolhemos dentro de opções pré-estabelecidas. Como trazido em ‘Surplus’, a nossa liberdade é escolher entre as marcas A, B ou C.
Há, portanto, uma crise de fronteiras de todos os tipos com a globalização. A individualização versus a homogeneização. Qual o limite do Estado-Nação? Não existem mais fronteiras, sejam elas econômicas, políticas ou culturais. Houve uma quebra dos limites da geopolítica comum.
E o indivíduo? O que é? Hoje ele é bombardeado por informações que vem de todos os lados e acredita ter a liberdade de escolher. Mas, é preciso reforçar: o extremismo ideológico não adianta mais – a nossa Era é mais complexa.
Grupo 8
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