Thursday, October 22, 2009

Insensatez por insensatez...

Surplus é um documentário polêmico produzido em 2003 por Eric Gandini que discute as contradições deste sistema tecnicista e consumista que vivemos.

O grande mérito do vídeo é seu poder de instigar o debate nos mostrando as contradições do avanço tecnológico que dizem ser a salvação da humanidade, em quanto pode ser seu próprio algoz. Mesmo a tecnologia sendo inerente ao ser humano desde os primeiros dias de sua existência terrestre, o que vivemos hoje é um tecnicismo desenfreado que tenta recriar uma natureza ideal de confortos e possibilidades infinitas; “é tempo de mentes sem fronteiras”

Para Bill Gates, a tecnologia aproximaria as pessoas, o que é verdade. Com as redes sociais que são tecidas nas comunidades virtuais a probabilidade de haver comunicação aumenta bastante. O Orkut, o MSN, o Facebook e etc. facilitam o contato e possibilita o rompimento do isolamento que todos nos estamos condenados nesta segunda cultura – a cultura artificial. Contudo, a mesma internet que aproxima as telinhas, afasta os corpos. Está certo que encontros são marcados via email, mas não está errado dizer que cada vez mais pessoas deixam de sair de suas casas pra ficarem conversando pelo computador – até porque “teve um assalto ontem no Rio Vermelho e minha mão disse preu ficar em casa”.

John Zerzan é um entusiasta contra a tecnologia e a globalização, que busca viver a par do mundo contemporâneo. Alguns de seus posicionamentos podem parecer insensatos; “- como querer voltar à idade da pedra? Destruir prédios não leva a nada!”, se questionariam alguns. Contudo, seu posicionamento não é mais insensato do que o próprio sistema em que todos nós estamos imersos. Afinal, quem souber para onde caminha humanidade, favor nos adicionar no MSN – temos muito que conversar.


grupo 3

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Reflexões sobre Surplus

Surplus é um filme que não segue apenas um caminho de se viver. Mostra os dois viés, dos capitalistas consumistas querendo lhe empurrar toneladas de produtos a cada hora, assim como os socialistas com sua defesa do não-consumismo e sua pseudo democracia.
Apesar de serem sistemas opostos, os dois fazem uso de um discurso e de meios
de comunicação para divulgar suas idéias. O diretor faz uso do próprio recuso de áudio e vídeo para demonstrar o forte poder da mídia e de seus discursos ideológicos. O jogo de cena e imagens prendem a atenção do telespectador, não deixando fugir o olhar.
No geral, o discurso do bloco capitalista é igual ao do socialista e vice-versa. Os dois tentam arrebatar seu público, sempre fazendo a relação entre dominador-dominado, mantendo uma ordem estabelecida, seja consciente ou inconscientemente. Com esta contraposição mostrada não dá para simplesmente eleger um sistema melhor. O nosso mundo é muito mais complexo, não dá para escolher qual o sistema está correto, se o dos EUA ou de Cuba. A globalização borrou os limites, ao mesmo tempo em que estamos todos envoltos numa mesma teia, estamos também em um domínio desigual. Somos levados para um mundo onde cada vez mais precisamos de mecanismos globais, mas que mesmo tempo não consegue tornar o mundo mais igualitário.

E no documentário também tem idéias, digamos que, utópicas, como a de Zerzan.. Para ele, alcançar a felicidade é sair deste mundo equipado em que vivemos hoje e voltar para o estágio primordial, sem aparatos tecnológicos nem cobranças de comportamentos. Para Zerman, as pessoas estão presas a este sistema, são reféns da tecnologia e de toda a lógica que ele impõe aos homens. A visão dele é bem extremista e utópica. Não vemos como poderíamos voltar para um estágio sem tais aparatos. Parece mais sensato tentar rever os usos de tais e se apropriar destas tecnologias de forma sustentável e que traga novas significações.
Grupo 4

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"Rice, beans... rice and beans!"- uma reflexão sobre o documentário “Surplus”.

'Surplus' (Terrorized Into Being Consumers, 2003) é um documentário sueco que analisa o modo de vida da sociedade contemporânea vive. O diretor italiano Erik Gandini viajou durante três anos para diversos países- como Cuba, Índia e Eua- para representar a ordem sob a qual vivemos. Amplamente divulgado pela Internet, o documentário questiona principalmente a lógica do consumo na qual a humanidade está inserida.

Produções em série, governos ditatoriais, guerras civis e a hegemonia de grandes empresas no mundo são umas das diversas questões que são sobrepostas na abordagem sobre o mundo atual. O principal teórico do movimento anti-civilização, John Zerzan, pontua boa parte das reflexões sobre a sociedade do consumo ao longo do filme. Referido por muitos como “anarco primitivista”, Zerzan ganhou destaque a partir da década de 1980 e os seus argumentos se baseiam na defesa de uma volta ao primitivismo pelo homem.

Os aparatos tecnológicos são postos pelo documentário como criadores de novos desejos de compra. O argumento que condena então a tecnologia é o de que a evolução tecnológica deveria libertar o homem, diminuindo o seu trabalho. E o que acontece é que estamos cada vez mais dependentes destas ferramentas técnicas para executarmos tarefas. Isso não é necessariamente ruim, assim como não é brutamente negativo o fato de sermos uma sociedade do consumo.

O ponto é o que o documentário acaba por cair na dicotomização de um mundo onde existem os “espertos” que produzem propagandas para o consumo e o “homem passivo” que as consome sem maiores questionamentos. Ora, todos sabemos que a questão não deve ser vista assim de forma tão simplista. Não existe somente “dois lados da moeda” e muito menos produtores e consumidores no mundo de hoje. Todos consumem informação e todos são capazes de produzí-la e distribuí-la. A experiência da web nos prova justamente isto.

A grande questão é que nós, seres humanos, somos movidos pelo desejo. Como já pontuaram diversos estudiosos, o desejo é humano, puramente humano. O desejo (D.: Wunsch), tal como é entendido pela psicanálise, não é a mesma coisa que a necessidade: enquanto a necessidade é um conceito biológico, natural, o desejo é da ordem psíquica. Portanto, o desejo, assim como a pulsão, nos diferencia dos animais, uma vez que estes são seres de puro instinto, seres de necessidade.

Para Freud, o desejo é o que põe em movimento o nosso aparelho psíquico e o orienta segundo a percepção do agradável e do desagradável. Indo além, o desejo é o próprio meio de se chegar à felicidade. O problema é que sempre adiamos a satisfação do desejo de forma que nunca a atingimos: o desejo, então, é uma busca pelo impossível, segundo a psicanálise.

Os nossos desejos são, sem dúvida, mais explorados nesta “era da imagem técnica”, onde os nossos sentidos são reconfigurados cotidianamente. É o que expõe Vilém Flusser no seu livro O mundo Codificado. Para Flusser, foi a partir da necessidade de se comunicar e de registrar o seu legado para as gerações futuras que o homem desenvolveu símbolos e códigos através dos quais pudesse expressar os seus desejos e inspirações.

Na nossa sociedade do consumo, o desejo funciona ainda mais como combustível. A garota cubana que descreve a sua experiência de ter ido à Inglaterra talvez seja quem representa melhor no filme essa questão fundamental. É a partir do seu depoimento entusiasmático sobre consumir “a super Mac, a big ,big, Big Mac!” que percebemos por que, por um lado, não faz sentido para o homem estar inserido num sistema político onde seus desejos não possam ser sanados. Para a garota, não fazia sentido comer arroz e feijão num lugar onde ela poderia consumir fast food- uma vez que um Bic Mac lhe era configurado como um objeto de desejo, por assim dizer.



É neste ponto do documentário onde se consiste a relativização dos contextos contemporâneos anteriormente expostos. Não mais caímos no pensamento de Zerzan onde o fim do consumo é a solução para este tal “excedente”- como sugere o próprio título ‘surplus’- em que se vive.

Assista ‘Surplus’ aqui.

Grupo 2.

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Wednesday, October 21, 2009

Comentário sobre Surplus

O documentário exibido em sala, Surplus: Terrorized Into Being Consumers, tem alguns pontos bastante questionáveis.

1º : A defesa entusiasmada do vandalismo como forma de protesto e resistência popular frente às arbitrariedades e injustiças perpetradas pelos poderes político e econômico.

John Zerzan, um teórico anarquista que defende idéias insensatas com um risível tom de superioridade, parte do pressuposto equivocado de que só existe violência se ela for praticada contra um ser humano. Para ele, a destruição de bens materiais não é violência, mas sim uma maneira válida de se vingar da exploração das grandes corporações, do progresso tecnológico, da “opressora” sociedade industrial, do consumismo desenfreado etc. Em síntese, é uma visão estúpida e contraproducente porque ancorada na defesa da bárbarie como arma para combater os diversos tipos de violência e subjugação. Zerzan parece desconhecer os feitos e o legado de Gandhi. A retórica pacifista e inteligente, aliada à desobediência civil, trouxe e pode trazer resultados muito mais significativos. A violência enfraquece e, por vezes, anula a argumentação, atrai a aversão dos meios de comunicação e da opinião pública e, em última instância, gera efeitos contrários ao que se pretendia.

[...]

O filme é bastante radical em diversos aspectos evidenciados. A tecnologia não foge a essa abordagem extremista. O enredo coloca o desenvolvimento tecnológico como uma ferramenta que afasta um indivíduo do outro, visto que a ultrapassagem dos limites de espaço e de tempo, mascarada pela idéia de facilitar a comunicação, compromete o convívio entre as pessoas. Ou seja, as pessoas não mais se deslocam para poder se relacionar, pois existem meios para que haja troca de informações, sem necessariamente haver um contato direto.

Essa é uma visão que deve ser analisada, na medida em que as pessoas, de fato, estão perdendo a idéia de contato imediato para poder efetivar uma relação. Entretanto, ao superar os fatores espaço e tempo, as novas tecnologias também proporcionam maior significação de conteúdos, o que facilita a aproximação entre diversas pessoas nas variadas partes do mundo. Nosso contato com a informação é muito maior e a possibilidade de intercâmbio cultural é vasta, o que contrasta com a idéia de puro isolamento que o filme tenta passar.

[...]

Surplus traz uma visão demonizada e unilateral sobre o consumo. O documentário ignora todos os benefícios e avanços propiciados por um modelo capitalista de sociedade. Ignora, por exemplo, o valor social que os produtos possuem. Filmes ou livros “consumidos” são matéria-prima para conversas, reflexões e desenvolvimento de novas idéias. Eles permitem o surgimento de espaços e momentos de socialização, no qual as pessoas compartilham experiências utilizando o seu capital intelectual que é construído também através do consumo.

Outro aspecto positivo que se pode destacar na lógica capitalista de produção é o desenvolvimento das tecnologias e da ciência. O lucro é um dos combustíveis que estimulam as inovações em ambos. Há um ciclo, o consumidor compra o produto, gerando lucro para a empresa e possibilitando o surgimento e o avanço das tecnologias que futuramente irá comprar. Ao mesmo tempo em que as pessoas são submetidas a esse ciclo interminável de compra, as inovações trazem melhorias para a qualidade de vida e multiplicam as possibilidades de realização das mais diversas tarefas diárias.

[...]

Ao mesmo tempo que situa o consumismo como a grande mazela da humanidade a ser combatida, apresentando-o como elemento primordial de sustentação de um sistema nocivo à natureza e opressor das nações subdesenvolvidas, o vídeo sugere soluções extremas e, porque não dizer, levianas e excessivamente românticas. Os recortes e manipulações de áudio e som feitos nos discursos dos representantes das grandes corporações e dos países centrais, de um lado, e a aura paternalista e protetora do discurso de Fidel Castro, de outro, podem ser interpretados como uma tentativa de substituir toda a complexidade do assunto por um maniqueismo reducionista.


Essa concepção que contrapõe o demônio do consumismo, da tecnologia e da sociedade industrial ao deus do igualitarismo e da vida bucólica pré-industrial não contempla as contradições internas de cada um dos caminhos: ou se torna peça de uma engrenagem que existe por si só e objetiva se manter viva oferecendo prazeres efêmeros, ou se abre mão da diversidade em nome de uma coletividade homogênea e mediana.


Grupo 06

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Resenha - ‘Surplus: Terrorized Into Being Consumers’

Pode-se dizer que ‘Surplus: Terrorized Into Being Consumers’ (2003), documentário dirigido pelo italiano Erik Gandini, está recheado de ironias contra a modernidade e as formas do capitalismo atual. ‘Surplus’ é uma palavra francesa que significa ‘superávit’ e o dicionário a define como: ‘excesso das receitas sobre as despesas’.

Portanto, a proposta do filme está instalada desde o seu título: falar-se-á sobre gastos, despesas e consumo – palavras chaves para o capitalismo. ‘Surplus’ trata dos rendimentos do homem ao consumo e como existe um sistema por trás que trabalha para estimulá-lo.

Nos primeiros minutos, vê-se um grupo neo-ludistas protestando e destruindo propriedades, contra o capitalismo pelas ruas de Gênova, enquanto acontecia a reunião do G-20. O neo-ludismo já é tido como um conceito político e refere-se a todos aqueles que se opõem ao desenvolvimento tecnológico ou industrial.

Depoimentos de John Zerzan, considerado o pai do ativismo Black Block, são mostrados a partir de então. Para ele, o mundo só poderia ser salvo se voltasse à idade da pedra. Tudo pode ser resolvido quando as indústrias forem destruídas. Ele defende a volta ao neolítico: onde o controle dos meios de produção não esteja restrito a esses poucos, que negociam as coisas com base no valor de troca.

Zerzan não acredita nos protestos pacíficos. Para ele, esse tipo de protesto se reduz a ‘segurar uma placa’ e não adianta para nada. Por isso, defende os danos limitados à propriedade. Tudo reduz a individualidade. Ele considera que o consumo é danoso e deve parar porque é degradante: “o desejo de consumo te aterroriza”.

Um discurso de George W. Bush é mostrado, repetidamente, onde ele diz: “Não podemos deixar que o terrorismo não nos deixe consumir.” Com isso, o filme deixa claro: é assim que raciocina a sociedade americana e os seus governantes - é o consumo que está em primeiro lugar e o modo de vida transnacional deve ser o modelo imposto pelos Estados Unidos.

Os dados que o documentário traz mais tarde também colaboram: 20% da população mundial consome 80% dos recursos planetários. Um americano consome 5 x mais que um mexicano, 10 x mais que um chinês, 30 x mais que um indiano. As proporções são diferentes, e aí entram variantes como realidade cultural, econômica e política, mas todos consomem.

Gandini consegue construir enunciado irônico com falas cortadas de presidentes e chefes de grandes empresas a favor do consumo. Os discursos são apresentados como uma propaganda televisiva, com imagens onde a platéia ri e aplaude para o que lhe é colocado. Mas é assim que funciona a sociedade contemporânea? Os estímulos são apresentados, o desejo de consumo é instalado e como na “Bullet Theory” todos se rendem e reagem automaticamente, como seres autômatos, ao que lhe é imposto?

Sim, todas as pessoas, desde o seu nascimento, são constantemente estimuladas a consumir e a entrar num sistema no qual é o ‘o que se tem e o que se consome’ que indica a sua posição. Mas, vale ressaltar que o consumo do qual ‘Surplus’ trata não é o consumo que propicie satisfação, é o consumo que precisa criar mais e mais necessidades. O exemplo que ilustra muito bem a necessidade de consumo que é criada e se instala é a cubana Tânia. Ela viajou para a Inglaterra, gosta de consumir e comer fast-food. O sistema em que ela está se inseriu, propiciou que ela se deslumbrasse pela realidade capitalista de que tudo é acessível e deve ser comprado.

Serialização e padronização associadas ao consumo também não ficam de fora em ‘Surplus’. Em determinado momento do vídeo, pode-se assistir à apresentação de bonecas eróticas serializadas e feitas ao gosto do cliente. Elaboradas com os mais modernos materiais, elas imitam um corpo real. Todas essas bonecas são produzidas com base nos padrões capitalistas de beleza, de corpo e fica claro que até o sexo está rendido às regras impostas por consumo que deve ser massificado.

Nesse contexto, podemos ilustrar com o que Vilém Flusser traz no livro O Mundo Codificado: “Certamente existem também relações ‘naturais’ entre os homens, como a relação entre a mãe e o lactante ou então uma relação sexual, e pode-se afirmar que essas seriam as formas de comunicação mais originais e fundamentais. Mas elas não caracterizam a comunicação humana, e são amplamente influenciadas pelos artifícios, são ‘influenciadas pela cultura.” O sexo, então, estaria condicionado pela cultura. E na sociedade capitalista e do consumo, bonecas eróticas e serializadas estão de acordo com a realidade compartilhada.

Gates declara que o computador serve para aproximar pessoas entrando em choque com o discurso de Zerzan: ele afirma que é uma peça para racionalizar, isolar e colocar a eficiência sobre a diversão. Nesse momento, discussões sobre a comunicação e o uso dos aparatos tecnológicos podem ser despertadas. A modernidade serve para estimular o afastamento e reduzir a proximidade. Mesmo que a comunicação seja improvável, busca-se por essa comunicação e uma necessidade de romper o isolamento. A tecnologia, aqui representada pelos computadores, então, propicia o maior isolamento ou permite que o constrangimento do afastamento seja reduzido?

Fazendo referência, novamente, às ideias expostas por Vilem Flusser pode-se dizer que é o fim das diferenças, mas também o fim das liberdades, como a de escolha por exemplo. Flusser diz no seu ‘Mundo Codificado’ que temos a ilusão de poder escolher, quando, na verdade, só escolhemos dentro de opções pré-estabelecidas. Como trazido em ‘Surplus’, a nossa liberdade é escolher entre as marcas A, B ou C.

Há, portanto, uma crise de fronteiras de todos os tipos com a globalização. A individualização versus a homogeneização. Qual o limite do Estado-Nação? Não existem mais fronteiras, sejam elas econômicas, políticas ou culturais. Houve uma quebra dos limites da geopolítica comum.

E o indivíduo? O que é? Hoje ele é bombardeado por informações que vem de todos os lados e acredita ter a liberdade de escolher. Mas, é preciso reforçar: o extremismo ideológico não adianta mais – a nossa Era é mais complexa.


Grupo 8

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Resenha vídeos

O primeiro vídeo, que mostra o manifesto Unabomber, alega que a revolução industrial foi um desastre para a humanidade, e destruiu a liberdade do indivíduo e a esperança. Esse pensamento deve ser relativizado. De fato, há uma menor liberdade do homem ao depender da tecnologia para pensar, para se relacionar e ao não conseguir viver sem as invenções tecnológicas, mas também há um aumento da liberdade de expressão, difusão de opinião, de mobilidade e de romper constrangimentos de tempo e espaço.

O segundo vídeo, Surplus, aponta os problemas atuais do consumismo, e faz uma crítica ao mundo tecnológico, mostrando a dicotomia entre o futuro tecnológico ser de caráter aproximador e distanciador de pessoas. Idealiza um novo mundo sem poluição, desperdícios e para isso seria preciso destruir a técnica, as máquinas e as indústrias. Um questionamento interessante levantado no vídeo é: E se toda tecnologia fosse destruída, como o homem viveria? Sem carros, prédios, computadores, celulares. É difícil de imaginar.

A técnica pode ser mal utilizada, para guerras e o controle territorial, mas também possui benefícios, como a inteligência artificial, o surgimento do computador, etc. O mundo estaria fora de controle. Isso seria um reflexo da entropia de qualquer sistema, o desequilíbrio. A destruição da natureza pela técnica trouxe pobreza, atraso, dívidas. E tudo isso foi a troco do quê? Qual o sentido disso? Isso nos remete a ideia levantada no texto de Ellul: a técnica tem um fim em si mesmo.

O vídeo traz o depoimento de John Zerzan, que trabalha com o processo de origem e as consequências da indústria de massa, que defende a idéia da recuperação da cultura através do retorno ao primitivismo. Zerzan afirma ainda que violência não é causar danos a prédios e carros, mas sim ficar em casa, inerte, vendo MTV e comendo MC Donald’s.

Surplus demonstra a crise do homem e de seu estar no mundo, apontando uma cubana que sonha em mudar sua rotina, e um sueco milionário, que busca viver “alternativamente”. Fica a pergunta: qual a razão de tanto consumismo, das técnicas construídas, se o homem não consegue se sentir satisfeito? Se a solução fosse o menor consumo, a Tania de Cuba estaria feliz e não ficaria realizada com sua viagem à Europa e com seu Big Mac. Assim como ter todo o dinheiro do mundo, para o sueco, não faz sentido algum e talvez não fosse necessário.

O vídeo mostra ainda uma loja que confecciona bonecas e bonecos, e essa cena nos remete a ideia de Flusser, de que a técnica tem se aperfeiçoado tanto que está cada vez mais se assemelhando ao real. Tudo pode ser comercializado, e existem nas grandes cidades, em meio a tanta gente, pessoas solitárias A experiência que pode ser obtida, segundo o desenvolvedor dos bonecos, é praticamente a mesma (relacionada ao tato) do mundo real, como se o consumidor não percebesse a artificialidade daqueles objetos. Há cenas com ângulos mais fechados que, se o receptor não soubesse previamente que eram bonecos, facilmente se confundiria com pessoas reais.

Há um grande discurso democrático e otimista no desenvolvimento de novas tecnologias, como o computador e o celular, mas o seu uso que vai determinar se o projeto inicial é de fato o que foi prometido. A promessa de liberdade e de menos trabalho foi relativizada no filme com a impossibilidade de se afastar dos aparelhos e não ser controlado pelo trabalho. Assim como a promessa de sociabilidade é contraposta com as pessoas passeando no shopping sem interagir nem conhecer umas as outras. Embora, assim como a comunicação, haja, com as novas tecnologias, uma potência social e conversacional maior - porém só seu uso que vai determinar aumento ou diminuição de sociabilidade.

Grupo 7

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Thursday, May 28, 2009

SURPLUS

Surplus, uma produção de 2003 do diretor Erik Gandini, traz a temática do consumismo exacerbado resultante do capitalismo. Inspirado nas radicais idéias do primitivista John Zerzan, o filme se utiliza da linguagem do vídeo clipe com inserção de loops e repetições de frases e palavras para referir-se ao capitalismo, ao mundo da propaganda e do marketing capitalista, fazenda da associação do som e da imagem, um elemento de destaque na abordagem do tema.

Com as idéias de Zerzan, um defensor da idéia de que os problemas da humanidade só serão sanados com a desindustrialização da sociedade e com o abandono da tecnologia, o documentário ironiza os efeitos do consumismo, intercalando a entrevista de Zerzan com a apresentação de outros "personagens". Um americano de classe alta, insatisfeito com a "facilidade" das coisas, uma cubana vislumbrada com o cosumismo europeu e um apaixonado funcionario de uma grande corporação (ridicularizando seu "amor" exacerbado pela empresa), mostrando estes como filhos dos equívocos do sistema. O rítmo construído pela edição de som e imagem acentua ainda mais o tom irônico.

O documentário traz uma idéia anticapitalista bem mais radical do que se costuma ouvir costumeiramente, que apesar de parecer absursda a priori, torna-se interessante pela escolha da linguagem e a ousadia da crítica.

Grupo 2

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Wednesday, May 27, 2009

Resenha: A Poética da repetição em Surplus


Grupo 1

Surplus (2003) é um documentário sueco que coloca em evidência o consumo desenfreado das sociedades capitalistas contemporâneas e os problemas gerados pelo excesso da produção em massa no mundo. Seja pelo viés do capitalismo esmagador americano ou pelo socialismo decadente de Cuba, o vídeo dispara crítcas ácidas às patologias sociais de um mundo pautado pelo poder (seja econômico ou simbólico). Para sustentar um discurso tão inflamado, o documentário se divide em blocos regados por músicas e cenas belíssimas… Como em um videoclipe que martela os ouvidos e olhos de seus espectadores.

Pode-se perceber um forte posicionamento crítico quanto aos usos tecnológicos empregados pelos países capitalistas, visando à propaganda política e o estímulo ao consumo. O consumismo e a busca incessante pelo lucro são representados de tal maneira que o indivíduo é reduzido a ser um funcionário da técnica, sendo que os detentores dos meios - os "developers" comandam de forma verticalizada uma grande massa de trabalhadores. Em analogia à máquina capitalista, é apresentado o caso da Cuba socialista. Para poder condicionar sua população ao regime, Cuba opera de maneira inversa em relação ao consumo, controlando-o, mas também se utiliza de técnicas publicitárias para convencer essa população a aceitar este controle.

A estrutura de videoclipe do filme é utilizada de maneira similar ao retratar o capitalismo norte-americano e o socialismo cubano: duas faces de uma mesma moeda, sociedades controladas por uma minoria poderosa e habitada por uma maioria ignorante e massificada. Marcado pela batida minimalista da música eletrônica, por imagens que se repetem e por diferentes discursos com trechos sincronizados, essa poética do loop (imagens e sons repetidos) hiper-amplia um efeito estético de alienação e amplia a idéia de consumo massivo. As imagens do documentário e a maneira como o áudio se encaixa nelas lembram vagamente trechos da forma como os vídeos usados para lavagem cerebral são retratados em filmes das décadas de setenta e oitenta, e os recursos de montagem criam truques até mesmo engraçados, como fazer Fidel parecer estar dizendo "I love this company", frase anteriormente usada por um outro personagem do documentário num congresso da Microsoft.

Sem dúvida, mais do que qualquer outra coisa no documentário, sua construção enquanto obra audiovisual salta aos olhos do espectador de Surplus. As opiniões defendidas pelo documentário, no entanto, são radicais e deixam de notar nuances sobre a sociedade atual. A questão dos meios técnicos manipulados por um grupo privilegiado de detentores de riquezas deixa de lado as apropriações feitas por indivíduos e agrupamentos sociais. Diversas estratégias políticas desenvolvidas por movimentos minoritários, por exemplo, utilizam da Internet como instância organizadora - através de e-mails e listas - e de visibilidade, com o Youtube, os blogs e as redes sociais. Estas últimas, as redes sociais, devemos lembrar que são mídias pós-massivas que permitem participação do usuário reconfigurando seus limites e oferecendo um amplo leque de possibilidades de uso. Portanto, não se tem um irracinal domínio técnico guiando o destino da humanidade. As tradições, a historicidade que contextualiza o indivíduo, não podem ser descartadas como se houvesse a diminuição da liberdade do indivíduo ao ponto dele praticamente se tornar uma máquina por conta de um suposto "impacto tencnológico" - idéia rejeitada por teóricos contemporâneos como Lévy, para quem a técnica só pode ser separada da cultura ou da sociedade através de uma postura analítica típica da modernidade e, portanto, para quem a noção de "impacto tecnológico"
não faria sentido.

Por fim, merece atenção o destaque dado aos argumentos defendidos por John Zerzan, filósofo e escritor anarquista norte-americano. Zerzan defende que, praticamente, deveríamos voltar a uma fase pré-técnica (um “primitismo”) como se essa fosse a solução para a humanidade e suas patologias socioculturais. Essa idéia partilha de uma visão da técnica como algo externo e dominador na vida humana o que segundo autores como Pierre Levy não seria verdade, pois “o homem é desde sempre técnico,” ou seja, a técnica está intimamente ligada a aspectos sociais e culturais. Segundo Heidegger, o homem é “estranho” à natureza e precisaria “construir para habitar,” logo fica claro como o argumento “anti-técnica” levantado por Zerzan no documentário não se sustenta.

Surplus: Terrorized Into Being Consumers

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Friday, May 22, 2009

Surplus


Surplus, documentário sueco de 2003, coloca a vida pautada pelo consumismo em evidência. O vídeo mostra tanto o lado capitalista quanto o socialista da sociedade atual, sem entretanto defender ou apontar para nenhum deles. A mensagem que prevalece é a de que o ser humano tem a necessidade intrínseca de consumir e, ao dar vazão a este consumo de forma desenfreada, está alimentando uma condição insustentável para a humanidade como a conhecemos.

“Trabalhar constantemente e consumir constantemente é loucura. Está destuindo tudo”. É assim que John Zerzan, famoso ativista defensor do anarco-primitivismo entrevistado ao longo da fita, justifica os seus protestos: Ele argumenta que 20% da população consome 80% dos recursos do planeta, o que está levando o planeta ao colapso eminente.

Starbucks, McDonalds, ícones do capitalismo, estes são os alvos preferidos das ações de Zerzan. Para ele a depredação como forma de alerta é o único jeito de mudar as coisas. “Óbvio que eu preferiria ações pacíficas. Ninguém se machuca, nada é perdido e todos saem felizes. Mas não é assim que funciona. Só o afronte consegue a pressão necessária para fazer valer a voz do movimento”. Tyler Durden, no filme Clube da Luta, não sintetizaria tão bem as suas idéias.

Enquanto ativistas quebram o pau com a polícia do lado de fora, dentro do G8 os maiores líderes do capitalismo repetem em uníssoro o discurso do consumo. É engraçado como o documentário coloca todos os chefes de estado para dizerem literalmente a mesma coisa.

Para mostrar o outro lado da moeda somos levados a Cuba. O (até então) líder Fidel Castro discursa para as multidões que seu país é o mais democrático do mundo. Democracia ditatorial, só se for. As cenas mostram que a população cubana recebe uma espécie de tabela com cotas de consumo para os bens essenciais. Como não há concorrência, não há marcas para os produtos. São “eles” que decidem o que a população precisa. De fato, um universo competamente diferente da competição consumista que vemos no resto do planeta.

Mas será que é isso mesmo que o povo cubano quer? Uma garota que acabou de voltar da Europa mostra que não é bem assim. Ainda que não diga isso, fica evidente o fascínio que o modo de vida europeu exerceu na jovem. Burger King, McDonalds, os olhos dela brilham ao falar nessas marcas, contrapondo com o “arroz com feijão” de todos os dias cubano.

Tanto faz se do lado liberalista de bush ou estatal de Fidel, em essência os discursos dos lideres mundiais soam iguais: defender o sistema que os colocou no poder. A conservação do planeta fica em segundo plano frente à necessidade de perpetuar o modo operante vigente.

Em meio a essa visão pessimista e determinista, nos restariam duas alternativas: ou nos juntarmos a John Zerzan na luta pela quebra dos alicerces da sociedade contemporânea, ou pensarmos com boa vontade na possibidade de George Carlin (veja abaixo), no fundo, estar certo.



Grupo 8

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